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domingo, 2 de janeiro de 2011
sábado, 1 de janeiro de 2011
Texto: MARIA TOMASELLI/ Artista plástica
Por que uma bienal precisa de um curador? Curador é diferente de crítico. Crítico olha o que está sendo feito e tece comentários, procura enquadrar, catalogar. Não vai além. O curador, que tem seu quinhão de crítico, produz uma unidade visível, baseada no discernimento da situação da arte no momento. Ele pensa, procura ligações, coloca-as de forma visível, palpável, e não num texto apenas.
Não tenho conhecimentos sólidos em sociologia da arte, nem em História da Arte, por isso fica difícil traçar, no panorama das artes do século 20, quando começou o fenômeno das curadorias, que até hoje só fez aumentar de importância. Mas vou tentar: na medida em que o curador ganha importância, artistas e críticos descem na escada da fama.
Fala-se em star quando se falaem curador. Ele está tão em evidência como um popstar, um filmstar. Ele faz acontecer. O que faz um star? Movimenta multidões, tem carisma, traduz sentimentos e vontades que nós temos mas não podemos expressar. Nas sociedades arcaicas, a função do star era exercida por um pajé. A própria palavra "curador" vem de uma função assim: era, na igreja cristã, o provedor dos pobres, fracos, mentalmente incapacitados.
Hoje, precisamos de curador para montar até uma exposição, sinal dos tempos. Quarenta anos atrás, ainda tínhamos salões de arte, onde os artistas se inscreviam para concorrerem a um prêmio. O mais cobiçado era o do Salão Nacional: viagem ao Exterior. Os salões tinham seus escândalos, seus acertos; eram julgados por cinco críticos de arte, que, por serem diferentes em suas visões, garantiam uma média de acertos que fazia jus ao panorama. Hoje, quase ninguém mais se inscreve em salão (nos poucos que existem), esperando ser convidado por um curador.
A segunda metade do século 20 viu nascer a pós-modernidade. É a glorificação da fragmentação, da sobreposição de estilos (bem visível na arquitetura). Nasceu devido à implosão de sistemas totalitários como o fascismo e o comunismo. No desespero das barbaridades, fortificou-se o expressionismo, o abstracionismo. O expressionismo: "Eu, sozinho, preciso expressar minhas angústias". O abstracionismo: "A cor, o volume, a linha em si bastam-se". Uma oposição ao realismo social é a arte pura, l´art pour l´art. Isso de modo curto e grosso. O novo homem não é dominado pelo Estado, pela Igreja, ele preza a liberdade, a individualidade. O indivíduo se sobrepôs ao coletivo, ao Estado, desligou-se da religião, virou leigo. Cada cabeça pode ser uma sentença, não precisa seguir ideologias ou religiões.
Em termos de arte, isso significa uma avalanche de propostas individuais, fala-se até de "mitologias individuais". Por isso é necessário conhecer bem o artista e sua vida, ter acesso a seus códigos particulares. Pequenos grupos se formam, a arte se tribaliza, as diversas tribos não se comunicam. Perde-se a inserção no coletivo maior. Além disso, há uma descrença na arte convencional. O objeto-arte ficou muito caro, entrou no jogo do mercado, por muitos acusado de ser o vilão da história. Pintura, gravura, escultura não melhoram o mundo, mas o mundo precisa muito ser melhorado. Impotência generalizada perante o caos reinante faz muitos artistas abdicarem do objeto-fetiche e enveredar para a fotografia, o vídeo, com a proposta "uma câmera na mão e o povo na frente". Surge a vontade de ação política com a arte, de discussão sociológica, discussão cientifica. Os artistas, na sua vontade de agir e modificar os sistemas sociais, entram em todas as áreas do conhecimento humano. O cotidiano é manipulado, a cidade é interferida. Idéias novas procuram uma visibilidade em instalações, esses pequenos mundos que simbolizam os problemas dos grandes mundos. Cada um age como pode. Cada um corre atrás das novidades, que são exigidas hoje. Não é só "quem não se comunica se trumbica"; quem não se renova se trumbica também. Tem a ver com a moda, o consumo, a vertigem dos efeitos especiais em todas as áreas. Não se pode ficar parado, contemplativo. A inversão dos meios, tão necessária como propulsor da inteligência humana, também pode virar uma compulsão neurótica. De tanto inverter os meios podemos esquecer de aprender os meios e criar uma geração de analfabetos. O público fica perplexo.
Não tenho conhecimentos sólidos em sociologia da arte, nem em História da Arte, por isso fica difícil traçar, no panorama das artes do século 20, quando começou o fenômeno das curadorias, que até hoje só fez aumentar de importância. Mas vou tentar: na medida em que o curador ganha importância, artistas e críticos descem na escada da fama.
Fala-se em star quando se fala
Hoje, precisamos de curador para montar até uma exposição, sinal dos tempos. Quarenta anos atrás, ainda tínhamos salões de arte, onde os artistas se inscreviam para concorrerem a um prêmio. O mais cobiçado era o do Salão Nacional: viagem ao Exterior. Os salões tinham seus escândalos, seus acertos; eram julgados por cinco críticos de arte, que, por serem diferentes em suas visões, garantiam uma média de acertos que fazia jus ao panorama. Hoje, quase ninguém mais se inscreve em salão (nos poucos que existem), esperando ser convidado por um curador.
A segunda metade do século 20 viu nascer a pós-modernidade. É a glorificação da fragmentação, da sobreposição de estilos (bem visível na arquitetura). Nasceu devido à implosão de sistemas totalitários como o fascismo e o comunismo. No desespero das barbaridades, fortificou-se o expressionismo, o abstracionismo. O expressionismo: "Eu, sozinho, preciso expressar minhas angústias". O abstracionismo: "A cor, o volume, a linha em si bastam-se". Uma oposição ao realismo social é a arte pura, l´art pour l´art. Isso de modo curto e grosso. O novo homem não é dominado pelo Estado, pela Igreja, ele preza a liberdade, a individualidade. O indivíduo se sobrepôs ao coletivo, ao Estado, desligou-se da religião, virou leigo. Cada cabeça pode ser uma sentença, não precisa seguir ideologias ou religiões.
Em termos de arte, isso significa uma avalanche de propostas individuais, fala-se até de "mitologias individuais". Por isso é necessário conhecer bem o artista e sua vida, ter acesso a seus códigos particulares. Pequenos grupos se formam, a arte se tribaliza, as diversas tribos não se comunicam. Perde-se a inserção no coletivo maior. Além disso, há uma descrença na arte convencional. O objeto-arte ficou muito caro, entrou no jogo do mercado, por muitos acusado de ser o vilão da história. Pintura, gravura, escultura não melhoram o mundo, mas o mundo precisa muito ser melhorado. Impotência generalizada perante o caos reinante faz muitos artistas abdicarem do objeto-fetiche e enveredar para a fotografia, o vídeo, com a proposta "uma câmera na mão e o povo na frente". Surge a vontade de ação política com a arte, de discussão sociológica, discussão cientifica. Os artistas, na sua vontade de agir e modificar os sistemas sociais, entram em todas as áreas do conhecimento humano. O cotidiano é manipulado, a cidade é interferida. Idéias novas procuram uma visibilidade em instalações, esses pequenos mundos que simbolizam os problemas dos grandes mundos. Cada um age como pode. Cada um corre atrás das novidades, que são exigidas hoje. Não é só "quem não se comunica se trumbica"; quem não se renova se trumbica também. Tem a ver com a moda, o consumo, a vertigem dos efeitos especiais em todas as áreas. Não se pode ficar parado, contemplativo. A inversão dos meios, tão necessária como propulsor da inteligência humana, também pode virar uma compulsão neurótica. De tanto inverter os meios podemos esquecer de aprender os meios e criar uma geração de analfabetos. O público fica perplexo.
Texto: Darcy Penteado ( escritor e pintor)
A meu ver, a criação artística se processa em ciclos, o artista perseguindo suas motivações com elementos técnicos próprios, que se acrescentam e se renovam. O que ele transfere de uma fase à outra é a evidência desse auto-aprendizado que, em termos genéricos é sua marca registrada.
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